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Recapeando Livros - Refiz a capa do livro "A Visita Cruel do Tempo" de Jennifer Egan

Atualizado: 14 de jul. de 2023


Imagem - André Stanley design

Tive a ousadia de refazer a capa do premiado romance de Jennifer Egan, "A Visita Cruel do Tempo". Este livro já foi resenhado nesse blog. Pra acessar a resenha é só clicar aqui.


Primeiramente o que me levou a refazer essa capa foi apenas um desafio que me fiz para tentar traduzir em imagens o que encontrei no romance. O livro recebeu muitas versões diferentes de capas em vários países e eu gostei praticamente de todas que vi. São leituras diferentes da mesma história e todas têm sua razão de existir. Minha capa é só uma versão não oficial de como seria a capa caso eu fosse o profissional responsável.


Capa de Rafael Coutinho feita para a versão brasileira para a editora Intrinsica. (2011)

A capa da versão brasileira foi feita pelo cartunista Rafael Coutinho, e mostra uma imagem bem caótica do que parece ser um rosto desfigurado pela velhice. Os traços erráticos transmite uma sensação de confusão e fragmentação psicológica, o que casa bem com o romance.










Knopf Publishing Gorup - 2010 (EUA)

Na capa original vemos uma abordagem mais minimalista. Uma mão de guitarra tipo pictograma no centro da capa. Na minha opinião essa versão não representa o que o livro oferece, pois é simplista demais.










Segunda edição americana - Knopf Publishing Gorup - 2011 (EUA)

Em uma versão posterior podemos ver uma sobreposição de imagens de pessoas em cores diversas no que parece a primeira vista uma briga. Isso mostra o aspecto fragmentado da obra que tem vários pontos de vista que se sobrepõem.











Capa da edição britânica - Corsair - 2011 (Inglaterra)

Na versão britânica temos uma mulher se protegendo de uma chuva de notas musicais com uma sombrinha. Talvez indicando o quanto a indústria musical manipula nossa existência, a ponto de termos que nos proteger.













Capa da versão espanhola - Editorial Minuscula - 2011 (Espanha)

A versão em espanhol da obra recebeu o singelo título de "El Tiempo es un Canalla", o que a meu ver, amplifica uma personificação do tempo como sendo uma figura insensível e implacável, além de ter um tom irônico, que está em total sintonia com a obra.


A capa da versão em espanhol optou por uma mensagem visual mais limpa e direta. Uma fita cassete, simbolizando o tempo pretérito da indústria fonográfica, que expele um emaranhado de fita simbolizando a estrutura caótica do livro. Achei interessante a ideia desse design.



A minha capa



Para produzir a minha versão da capa de "A Visita Cruel do Tempo" decidi que usaria a técnica de manipulação de imagens. Utilizei fotos de bancos de imagens para construir imageticamente dois personagens do livro. Uma dificuldade de se colocar um protagonista na capa desse livro é o fato de se tratar de um conjunto de contos em que cada momento de narração temos um personagem diferente fazendo o papel de protagonista.


No caso o que faz a obra ter uma coerência em sua totalidade são as reflexões geradas sobre o tempo. Por isso decidi que o tempo seria o protagonista de minha capa sendo simbolizado pela grande ampulheta no centro. O personagem retratado na parte superior da imagem seria um músico decadente de um estilo que foi que foi essencial para construir a cara da cultura urbana na Nova Iorque da década de 1970. Nessa época o Punk Rock dominava o discurso rebelde entre os jovens nova iorquinos.


Jaqueta da capa do livro feita por André Stanley, com os textos originais da edição brasileira

O livro fala disso ao retratar um figurão da indústria musical que foi um desses jovens punks lutando por um lugar ao sol naquele período. No momento atual ele busca revelar o música que o deixara mais rico. O personagem da parte inferior da ampulheta mostra um personagem genérico, talvez um músico - podemos ver um violão ao fundo. Esse sujeito está deitado em um sofá hipnotizado pela tela de seu celular. Essa questão do celular é importante para o romance, pois a autora se aventura a se embrenhar por um futuro próximo algum ano da década que vivemos hoje. É importante frisar que o livro foi publicado em 2010.


Coloquem suas impressões no chat desse post. Obrigado!









André Stanley é historiador, professor de Inglês, espanhol e português para estrangeiros. Autor do livro "O Cadáver", editor do Blog do André Stanley. Possui um canal no Youtube onde fala de literatura, design e outros temas. Colaborador do site Whiplash, especializado em Heavy Metal. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.




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