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DEAD KENNEDYS – Será que o punk envelheceu?

Atualizado: 28 de mar. de 2021




Tudo começou quando os promotores brasileiros da turnê de comemoração de 40 anos da banda americana DEAD KENNEDYS divulgaram as datas dos shows que a banda faria no país. O cartaz – divulgado em 22 de abril – mostra uma família “Bozo” segurando armas com a camisa da seleção brasileira com um crucifixo no lugar do brasão da CBF, com tanques de guerra, demonstrando claramente uma crítica direcionada ao perfil cristão conservador, armamentista ultranacionalista - que por sinal, se adequa muito bem ao design do governo vigente. Obviamente a arte causou polêmica. Talvez, devido a polarização política em que nos encontramos atualmente. A banda negou ter contratado a ilustração e o artista saiu em defesa de sua obra e disse que foi contratado pela banda e até publicou posts que comprovariam que a arte era oficial. Como temos um pasto fértil, a polêmica continuou e a banda resolveu cancelar os quatro shows que faria no Brasil e publicam uma carta criticando os promotores da turnê brasileira, por não terem gerenciado bem a crise que o cartaz provocou. Muitos criticaram a banda de desrespeito com os fãs e de terem “arregado” mediante as críticas. Afinal onde foi parar a postura punk de uma das bandas mais icônicas desse movimento? Mas, será que não estariam brincando com fogo caso mantivessem as datas? Eu realmente não achei que a banda “arregou”. Chamo isso de prudência. Sério, achei o comunicado deles bem coerente com a que estamos vivendo hoje neste país. Aliás eles até elogiaram a arte do cartaz - que é realmente fenomenal - e disseram que concordam com a mensagem - afinal se negassem, estariam jogando fora quatros décadas de história de letras que vão ao encontro do que é mostrado no cartaz. No entanto, creio que estão legitimamente preocupados com eventuais situações de conflito que os fãs pudessem sofrer devido a exacerbação do discurso político. Estar há 40 anos na estrada parece ter dado aos caras certa cautela, o que é natural, afinal não são aqueles adolescentes politizados dos anos 80, estamos falando de senhores já na casa dos 60 anos, sem aquele vigor para brigar por toda e qualquer causa progressista que apareça pela frente. Na verdade, eu - como fã - realmente gostaria que os caras assumissem aquela arte como legítima e desse um tapa na cara da polarização política que vivenciamos - assim como fizeram quando foram processados por obscenidade pela capa do álbum Frankenchrist - mas sabemos que a realidade é outra, o DEAD KENNEDYS é hoje um "nome fantasia" que precisa sobreviver em um mundo capitalista. Sabemos do radicalismo perpetrado por ambos os lados do espectro político e, não é desejável que mais pessoas se machuquem. Infelizmente o Brasil ficará de fora dessa celebração de 40 anos do DEAD JENNEDYS, por conta de uma postura comedida de uma banda conhecida por atitudes imprudentes. Cristiano Suarez, autor da arte do cartaz declarou que não tinha ideia de que este poster causaria tamanha repercussão e reforça "que não precisa mais relacionar (o desenho) com a banda, o desenho não precisa mais levar o nome dela, porque, na verdade, essa arte se tornou a ‘grande carapuça’.

Fontes:








André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.







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