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Behemoth, Arch Enemy, Nervosa e Crypta: Como foi a esperada celebração do metal extremo em São Paulo

Atualizado: 19 de nov. de 2022


Behemoth/ Arch Enemy - Foto: @audio by: @leandro_godoi

Acabei de chegar do show conjunto do Behemoth e Arch Enemy em São Paulo (13/11/2022). Vou falar sobre minhas impressões sobre os shows que contaram com duas bandas de abertura, Crypta e Nervosa.


O show ocorreu no Audio, casa com capacidade para 3000 pessoas, onde não se via um centímetro quadrado sem ocupação humana. A primeira banda a subir no palco foi a brasileira Crypta, comandada por Fernanda Lira, que pela primeira vez tocaria no mesmo evento que a Nervosa, banda da qual foi a frontwoman por muitos anos. O show do quarteto foi avassalador. Death metal genuíno com a dupla de guitarristas Tainá e Jéssica muito bem entrosadas, notei uma diferença na regulagem das guitarras no início, mas logo foi corrigido.


Jéssica Falchi e Fernanda Lira da Crypta -Foto: @audio by: @leandro_godoi

Fernanda Lira que apesar de muito jovem, já é uma veterana do metal extremo brasileiro, tem uma presença de palco fenomenal e comandou o show sem dificuldades. Deu para perceber que muitos dos presentes sabiam as letras de cor. Devemos lembrar que o Crypta surgiu em meio a pandemia de COVID 19 e só lançaram um disco inteiro até o momento. Esse fato foi trazido à tona por Fernanda que agradeceu os presentes pela bela receptividade.








Diva Satanica da Nervosa em dueto com a convidada Mayara Puertas (Torture Squad) - Foto: @audio by: @leandro_godoi

Em seguida tivemos a apresentação da Nervosa, que estavam em uma posição bem diferente comparado com as outras bandas. Elas vinham de uma intensa turnê europeia e sul-americana onde tiveram que substituir 2 membras por motivos diferentes e esse show era o último desse giro. Imagina a sensação de dever cumprido que todas estavam compartilhando. Apesar de reduzido, o show foi visceral.


A vocalista Diva Satânica parecia estar muito concentrada e usou sua voz ao extremo sem deixar transparecer cansaço. A jovem baterista argentina Nanu Villalba – que foi anunciada como substituta de Eleni Nota durante a parte europeia da turnê – e hoje está efetivada na banda – parecia bem à vontade e sem dúvida foi uma ótima escolha.


Helena Kotina, a guitarrista/baixista grega que substitui Mia Wallace (baixo) na última parte da turnê também pareceu não estranhar o palco, sua performance demonstrou profissionalismo e excelente técnica, talvez seja uma escolha a se concretizar, caso Mia, por algum motivo, não retorne. Prika Amaral como sempre destilou seus riffs com maestria e ainda tomou conta dos backing vocals. O show da Nervosa foi muito esperado pelo público brasileiro, afinal desde o lançamento do excelente álbum ‘Perpetual Chaos’ a apresentação delas no Brasil ficou por último na agenda.


Não decepcionaram. Não tive a oportunidade de assistir outras apresentações delas, mas esse fechamento de turnê foi maravilhoso, apesar de um set list limitado pelo tempo, elas tocaram duas canções de álbuns anteriores. Durante a clássica kill the Silence foi chamada ao palco a vocalista do Torture Squad, Mayara Puertas, que fez ótimos guturais em dueto com Diva Satanica. Enfim, tivemos uma ótima apresentação de thrash metal que contou com o coro dos presentes em vários momentos.



Arch Enemy - Foto: @audio by: @leandro_godoi

Logo em seguida vieram os suecos do Arch Enemy. A entrada no palco foi algo impactante. Ainda durante a vinheta de introdução o baterista Daniel Erlandsson assume seu posto e a galera vai ao delírio, de repente Jeff Looms (guitarra), Michael Amott (guitarra) e Sharlee D’Angelo (baixo) surgem em meio ao gelo seco e iniciam o riff inicial de Deceiver, Deceiver em seguida entra Alissa White-Gluz e solta seu urro demoníaco para mostrar para a galera que estava em forma, pois notei uma preocupação de alguns fãs que leram sobre ela estar doente. Se estava com algum problema de saúde isso não ficou aparente em sua performance. Imponente como sempre, ela fez uma performance digna de uma atleta, inclusive com seus conhecidos saltos.


Alissa é uma das maiores performers do metal atual sem dúvida nenhuma. Em seguida, vieram as clássicas War Eternal, Ravenous e In the Eye of the Storm em sequência para logo depois tocarem House of Mirrors do álbum ‘Deceivers’ lançado esse ano. Tocaram também a excelente Sunset Over the Empire do novo álbum, depois disso só veio clássicos. O show foi imponente e sem dúvidas ficará na memória dos presentes. Muito peso, muita melodia e muita entrega dos membros.


Behemoth - Foto: @audio by: @leandro_godoi

Para fechar a noite com chave de ouro, vieram aqueles que são hoje os caras que mantêm as chamas do Black metal acesa. Se há uma banda que assumiu para si a missão de levar adiante a palavra do paganismo – ao menos de forma metafórica – em suas letras e figurinos, é o Behemoth. Os poloneses liderados por Nergal fizeram uma performance gigante.


Não se utilizaram de todos os elementos performáticos pelos quais são conhecidos, creio que o palco de tamanho reduzido não permitiu o uso de performances com fogo e outros elementos de palco, mas fizeram uma bela apresentação, com um jogo de luzes infernal. Iniciaram com Ora Pro Nobis Lucifer do excelente álbum ‘The Satanist’(2014), em seguida já emendaram com The Deathless Sun e Thy Becoming Eternal do novo álbum. O restante do show foi uma boa seleção do que eles fizeram desde o álbum ‘Satanica’ de 1999.


O evento foi um grande encontro de bandas extremas. O som estava ótimo em todas as apresentações. Quem gosta de músicas que vão do thrash ao death com uma pitada de black metal e permaneceu sóbrio durante todas as apresentações saiu de lá perguntando, “por que acabou?”



Da esquerda para a direita. Nanu Villalba (Nervosa), Diva Satanica (Nervosa), Helena Kotina (Nervosa), Prika Amaral (Nervosa), Alissa White-Gluz (Arch Enemy), Fernanda Lira (Crypta), Jéssica Falchi (Crypta) abaixada, Tainá Bergamaschi (Crypta), Luana Dameto (Crypta)

Para encerrar, gostaria de mencionar um fato levantado pela vocalista do Crypta, Fernanda Lira, durante sua apresentação e depois reforçado por Prika Amaral da Nervosa. Das quatro bandas que se apresentaram três tinham mulheres em sua formação. Duas delas eram completamente formadas por mulheres. Em que outro momento pudemos ver isso ocorrer em um show de música extrema?


A foto compartilhada por Alissa White-Gluz em suas redes sociais – depois o gesto foi repetido pelas outras bandas – é um registro que ilustra bem esse evento. Nela temos Alissa ao centro com todas as membras da Nervosa e da Crypta unidas.


Outra coisa, se vocês notarem durante toda o processo de escrita desse texto – e só percebi isso ao terminá-lo – mal usei pronomes masculinos para me referir aos músicos que se apresentaram e até tive que pesquisar se existe a palavra “membra” para ser usado como uma opção feminina para “membro”, ou seja, elas (as mulheres) chegaram com tudo e vêm dominando a cena e muitos nem se deram conta. O metal atual só tem a ganhar com isso.


Set Lists das bandas.


Crypta


Nervosa


Arch Enemy


Behemoth


Fotos: @audio by: @leandro_godoi


André Stanley é escritor e professor de História, inglês e espanhol. Também atua como designer gráfico e fotografo. É autor do livro "O Cadáver" e editor dos blogs: Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher. Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys.


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